Ensayo N.º 02 · Métricas

Cuando la métrica se vuelve meta, deja de medir.

La Ley de Goodhart y el problema estructural de los paquetes de marketing que venden cantidad.

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Anne Lise RosalesAnne Lise Rosales
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3 min
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453 palabras

En resumen

  1. Pacotes fechados definem sucesso por entregáveis contáveis: posts, artes, alcance.
  2. Pela Lei de Goodhart, o que vira meta passa a ser otimizado por si mesmo e se descola do resultado que deveria representar.
  3. A saída é uma arquitetura de métricas com três camadas: um norte de negócio, indicadores antecedentes e leitura qualitativa.

Uma lei sobre política monetária

Em 1975, o economista Charles Goodhart, então assessor do Banco da Inglaterra, observou que indicadores monetários que pareciam estáveis deixavam de se comportar como antes assim que o governo passava a usá-los como alvo.1 Bastava transformar a medida em objetivo para que os agentes mudassem o comportamento e a relação estatística se desfizesse.

A formulação que ficou popular é da antropóloga Marilyn Strathern: quando uma medida se torna uma meta, ela deixa de ser uma boa medida.2 A ideia saiu da economia e passou a explicar falhas em escolas, hospitais, empresas de tecnologia. E no marketing.

O pacote como contrato de Goodhart

Quando o contrato diz “doze posts por mês”, todo o sistema passa a otimizar doze posts. Alcance pode ser comprado. Engajamento pode ser induzido com sorteios. Seguidores podem crescer fora do público que compra. Cada meta é cumprida, o relatório fica verde e o negócio continua igual.

Métrica de entregaO que ela escondeMétrica de negócio
Posts publicadosRelevância para quem compraConversas qualificadas iniciadas
AlcanceQuem foi alcançadoCusto por oportunidade comercial
SeguidoresIntenção de compraConversão de audiência em cliente
Cliques no anúncioPromessa desalinhada com a ofertaReceita por real investido

Ninguém age de má fé aqui. O problema é estrutural: o que se contrata é o que se otimiza.

Arquitetura de métricas

A alternativa não é abandonar números, e sim organizá-los em camadas com papéis diferentes.

Norte Antecedentes Qualitativo 1 métrica de negócio o que se move antes o que aspessoas dizem
Fig. 2 Arquitetura de métricas. A base explica o meio, o meio antecipa o topo, e só o topo define sucesso.
  • Norte: uma única métrica de negócio que define sucesso. Agenda preenchida, receita recorrente, margem, pipeline.
  • Antecedentes: indicadores que se movem antes do norte e permitem corrigir a rota cedo. Leads qualificados, retenção de vídeo, buscas pela marca.
  • Qualitativo: o que as pessoas dizem nas mensagens, as objeções que se repetem, as palavras que usam. É aqui que nascem as melhores hipóteses.
Um bom relatório não responde quanto foi feito. Responde o que mudou, e por quê.

Por que isso exige sob medida

O norte muda de negócio para negócio. Para uma clínica, é agenda. Para um e-commerce, margem de contribuição. Para uma empresa B2B, oportunidades no pipeline. Se o norte é diferente, os antecedentes são diferentes, e o escopo de trabalho também precisa ser.

Por isso o escopo deveria nascer da arquitetura de métricas, e não o contrário. Começar pelo pacote é decidir a resposta antes de entender a pergunta.

Referencias

  1. C. A. E. Goodhart. “Problems of Monetary Management: The U.K. Experience”. Papers in Monetary Economics, Reserve Bank of Australia, 1975.
  2. M. Strathern. “‘Improving ratings’: audit in the British University system”. European Review, 5(3), 1997.
Anne Lise Rosales
Quién escribeAnne Lise Rosales

Fundadora y estratega de marca de Flume

Diseñadora multidisciplinaria y estratega de branding y contenido, fundadora de Flume. Une dirección de arte, lectura de datos e inteligencia artificial para construir marcas que se recuerdan por el motivo correcto.

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